— Psiu!
Ela ignorou o chamado, e logo em seguida escutou outra vez:
— Psiu!
— É comigo? — perguntou ela num sussurro.
— Sim — respondeu a voz de uma mulher. — Estou do seu lado esquerdo.
dulce se virou e viu um rosto fino rodeado de cabelos longos e cacheado.
— O que foi?
— Chegue mais perto para que possamos conversar.
Ela se aproximou o máximo que as correntes lhe permitiram, arrastando-se no chão.
— O que foi? — repetiu dulce. Agora conseguia enxergar um pouco melhor a mulher ao seu lado, uma jovem quase da mesma idade da dela, com cabelos pretos e a pele bem clara.
— É a sua primeira vez?
— Claro! — respondeu ela, num murmúrio indignado. — Quantas vezes poderia haver?
A garota não se incomodou com a falta de simpatia de dulce.
— É a minha segunda vez.
— Verdade?
— Sim. A primeira vez foi quando eu tinha dez anos, Quando fui pega roubando em uma loja. A minha própria família me entregou.
— E quanto tempo você ficou?
— Sete anos.
— E dessa vez?
— Para sempre.
— Por quê?
— Voltei para casa e tentei matar a minha família. Não consegui, mas mesmo assim eles me deixaram viver.
Seu humor havia ficado tão abalado nas últimas semanas que dulce teve vontade de rir daquela história.
— E você, o que fez para estar aqui?
— Assassinato — respondeu ela, com uma risada amarga.
Continua