Não tinha sido ela. Mas agora não fazia diferença. Desde que colocara os pés naquele fétido navio, tudo deixara ter importância. Se não fosse pelo enjôo, ela nem saberia se o navio estava se movimentando ou não. O vento não soprava em seus cabelos, não havia sal em seu rosto, enfim, nenhuma das sensações que imaginara vivenciar em uma viagem de navio. Seus olhos não avistavam o sol brilhando nas águas límpidas, apenas a escuridão. O barulho das ondas tempestuosas soava bem distante, encoberto pelos lamentos chorosos das mulheres que a rodeavam. Também não sentia cheiro de peixe, mas sim o de seres humanos hádias sem tomar banho.
Não conseguia enxergar os rostos dos outros. A luz era tão fraca lá embaixo que Lua chegara a imaginar que aqueles passageiros não eram humanos, e sim fantasmas advertindo-a sobre um destino bem pior do que o horror daquele porão.
Lua respirava fundo, tentando controlar o enjôo que lhe ameaçava revirar o estômago. Estava assustada, mas não iria se deixar dominar pelo medo. Se deixasse o sentimento falar mais alto, aqueles que a tinham colocado ali, aqueles que tinham rido de seu cruel destino, venceriam. Se a vissem naquele momento, eles saberiam que estava apavorada, tremendo como um ratinho assustado. Tentando buscar coragem do nada,Lua levantou o queixo e respirou fundo, decidida a não se deixar abater.
comentem ;)
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